
A sudoeste de Punta Arenas, onde o Estreito de Magalhães se ramifica em fiordes e canais, o Glaciar Sarmiento coroa o extremo norte da Ilha Santa Inés. É um daqueles lugares que poucos mapas registravam: durante muito tempo os glaciares desta ilha apareciam sem nome, até que em 2015 a tripulação do N.M. Forres batizou o do sul como Glaciar Helado e o do norte como Glaciar Sarmiento de Gamboa, em homenagem ao explorador espanhol que percorreu estas águas no final do século XVI.
Chegar até aqui faz parte da experiência. A navegação parte de Punta Arenas e cruza o Estreito de Magalhães rumo ao Parque Nacional Kawésqar, o segundo parque mais extenso do Chile com seus 2,8 milhões de hectares. No trajeto também se atravessa a Área Marinha Costeira Protegida Francisco Coloane, refúgio da baleia-jubarte que a cada ano migra dos mares quentes do Equador para se alimentar nestas águas frias. Por isso a visita ao glaciar costuma encerrar uma jornada que começa com o avistamento de baleias.
O que você vai ver
A paisagem é de canais, ilhas e fiordes praticamente intocados, emoldurados pela floresta sempre verde de Magalhães: coigües, ciprestes das Guaitecas, notros e canelos. Diante do glaciar, a parede de gelo desce em direção ao mar num silêncio que só o vento rompe e, de vez em quando, o estalar do gelo. Para quem viaja com a câmera a tiracolo, este é um marco de fotografia de paisagem: luz austral, água escura e um muro de gelo que condensa séculos de história natural.
Uma travessia com história
Estas águas guardam o relato do duelo entre o corsário inglês Francis Drake e o explorador Pedro Sarmiento de Gamboa. Em 1579 o vice-rei do Peru encarregou Sarmiento de explorar o Estreito de Magalhães e buscar lugares para assentar população e fortes que fechassem a rota aos inimigos da coroa espanhola. Em 21 de janeiro de 1580, dia de Santa Inés na Espanha, Sarmiento nomeou a ilha que hoje abriga estes glaciares. Anos depois fundaria a Cidade do Rei Dom Felipe, a primeira tentativa de povoar a Patagônia, lembrada mais tarde como Puerto del Hambre.
Para que tipo de viajante
Este destino conecta especialmente com contempladores e fotógrafos de paisagem, e com quem busca profundidade histórica em seu percurso por Magalhães. A navegação acontece principalmente na temporada de verão, quando as condições do Estreito e a presença de baleias favorecem a travessia. Como toda viagem pelo mar austral, depende do clima e das condições do dia.
Se sua rota tem como destino o Parque Nacional Torres del Paine, esta navegação é uma forma de somar a face marinha e glaciar da região antes de adentrar rumo às torres de granito. Para os detalhes de datas, horários e como articulá-la com o resto do seu roteiro, converse com seu executivo da GreatChile.


